Historial – Associação Recreativa de Nossa Senhora de Fátima do Arco de São Jorge

Em finais do século XIX se iniciou (ou retomou) a formação e a prática musicais das comunidades de São Jorge, por empenho dos associados da sociedade filarmónica local: em Setembro de 1896, os directores da colectividade contrataram Manuel Francisco de Gouveia, músico residente ao Largo do Pico (Santana), que por um ano ministrou, em casa da família Marques de Andrade, ao Sítio do Jogo da Bola, os primeiros rudimentos de música a catorze habitantes, lavradores, oito dos quais menores, que prosseguiram, após 1897 a sua formação com Jaime Augusto de Sousa, músico, residente na Ribeira Brava. Em 1903, Francisco Gomes, morador ao Bairro de São Pedro, iniciou a sua cooperação com a Filarmónica do Faial para a formação de alguns daqueles e de outros lavradores, de um soldado e um proprietário em casa de Cândido João Maria Jardim. Pouco mais se sabe da actividade da sociedade filarmónica de São Jorge.

No dealbar do segundo quartel do século XX, privavam os habitantes do Arco de São Jorge da actividade de uma estudantina/orquestra de cordofones plectrados (bandolins, bandolas, bandoletas e violas), denominada Grupo Musical de Nossa Senhora de Fátima ou Grupo Musical do Arco de São Jorge. Em finais da terceira década daquele século, Silvano Abreu Cardoso (1897-1981) quis habilitar a freguesia de uma filarmónica, que servisse nas festividades religiosas, e que garantisse o necessário artístico aos habitantes locais e contribuísse ainda para a sua alfabetização, convivência e confirmação da sua fé. Cardoso iniciou a reestruturação do antigo agrupamento, obtendo os montantes necessários através da recolha de donativos da população e da cobrança de 200 escudos a cada freguês que se quisesse inscrever na filarmónica. Ciente da sua parca formação na prática de sopros, Silvano Abreu Cardoso obteve de Artur Lopes, sargento músico do Regimento de Infantaria 19 (Funchal) os necessários métodos, para que os membros, formados já nos rudimentos de música, pudessem mais facilmente iniciar a sua aprendizagem nos novos instrumentos de sopro, adquiridos em Lisboa. Iniciados os ensaios em Maio, a 13 de Outubro realizou a Banda de Música de Nossa Senhora de Fátima do Arco de São Jorge a sua primeira actuação pública, definindo aquele dia como data de fundação da nova sociedade artística. Foram músicos fundadores da Banda-Escola Nossa Senhora de Fátima António Fernando Cardoso, Luís Laurindo Cardoso, Lourenço de Gouveia, Jordão Camacho, Manuel Barra, José Lourenço Pompílio, Alberto Rodrigues, Manuel Viriato, Manuel Martins, José Lourenço Rosa, Luís Pestana, Sabino Martins, Delfino Lourenço Rosa, Tiago dos Ramos e Domingos de Gouveia. Artur Lopes, regente da Banda da Escola de Artes e Ofícios, e Ângelo Álvares de Freitas, director artístico da Banda Municipal de Santa Cruz, ofertaram à instituição várias obras, que se executavam nas festividades para que a filarmónica vinha sendo convidada.

Todavia, a recém-constituída filarmónica permaneceria, por alguns anos, inactiva, em face do precoce abandono do mestre-mentor Silvano de Abreu Cardoso, e ainda como resultado da massiva emigração dos habitantes. Ainda na década de 1950, Manuel Vieira, militar reformado, tomou a direcção artística da colectividade, sendo posteriormente substituído por outros músicos militares, como Leonel Pestana, João José Marques e por Gonçalves. Em 1975, Alvarinho Camacho, que havia iniciado a sua aprendizagem como clarinetista na colectividade, que se formou no Conservatório de Música na Madeira, e que exercia então a sua actividade de professor do ensino regular de música, assumiu a direcção artística da Banda de Nossa Senhora de Fátima do Arco de São Jorge. No período sob a sua regência, desde a década de 1980 se iniciou o ingresso de mulheres à aprendizagem e à prática musicais na colectividade. O profícuo labor na formação de novos aprendizes de música e o desenvolvimento artístico da colectividade mereceu-lhes então o convite para representar a Região na Expo 98, a 4 de Setembro daquele ano. A 16 de Julho de 1986, sob a presidência de Armando Gouveia e direcção artística de Alvarinho Silva, a Banda Escola Nossa Senhora de Fátima do Arco de São Jorge constituiu-se juridicamente como Associação Recreativa de Nossa Senhora de Fátima do Arco de São Jorge. No seguinte ano, a Câmara Municipal de Santana dotou enfim a instituição de uma sala adequada para o ensino e prática musical dos seus aprendizes e executantes, pondo termo às precárias condições em que a instituição havia até então desenvolvido a sua actividade artística e pedagógica.

Alvarinho Silva confiou em 1994 a regência da colectividade ao actual director artístico António Fernandes, que também ali havia aprendido os primeiros rudimentos de música e trompete e que se formou no Conservatório e na Universidade da Madeira como professor de Educação Musical do Ensino Básico. Procedeu a Secretaria Regional do Equipamento Social em 2005 com a construção do Centro Cívico do Arco de São Jorge, habilitando desde logo a Associação Recreativa de Nossa Senhora de Fátima do Arco de São Jorge com instalações condignas, necessárias para o ensino e para a prática musical. Sob direcção administrativa presidida por Fernanda de Gouveia Ferreira, professora de Educação do 1º Ciclo do Ensino Básico, e sob a direcção artística de António Camacho, a Associação Recreativa de Nossa Senhora de Fátima do Arco de São Jorge, correntemente constituída por vinte e quatro executantes, tem desenvolvido uma assinalável actividade artística, participando em festividades religiosas, no Encontro Regional de Bandas e organizando concertos, prosseguindo ainda com o ensino musical na Escola de Música da colectividade, que conta actualmente com onze aprendizes.

 

Bibliografia
Silvano de Abreu Cardoso, “História da Banda de Música da Freguesia do Arco de São Jorge”, 1969, edição de autor.
Cf. “Contratos de aprendizagem do Conselho de Santana”, firmados em assento pelo tabelião Joaquim José da Silva Meneses, especificamente os anexos de 20 de Setembro de 1896, 18 de Outubro de 1897, e 7 de Outubro de 1903.
Registo de baptismo de Silvano de Abreu Cardoso, Paróquia do Arco de São Jorge, Liv. 8255, Arquivo Regional da Madeira.

 

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