Historial – Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente

Por iniciativa do Presidente da Casa do Povo de São Vicente, Manuel Mendes Andrade, se fundou, a 21 de janeiro de 1990, a Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente. A almejada constituição de uma banda filarmónica no centro-norte da Ilha da Madeira iniciou-se ainda em janeiro de 1989 na antiga sede da Casa do Povo de São Vicente, com a realização das primeiras aulas de solfejo e instrumento, sob orientação de José Manuel Correia Gomes e Silva, músico natural da Serra da Água e antigo executante da Banda Nova da Ribeira Brava. Dos cerca de sessenta alunos inscritos, aos catorzes mais aptos foram distribuídos os instrumentos adquiridos graças à atribuição de um subsídio da Extensão Rural, organismo da Secretaria Regional da Agricultura e Pescas. Constituiu-se o efetivo da Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente ainda com outros alunos da recém-constituída Banda Recreio Musical da Serra de Água, sob a direção artística de Gomes e Silva, e com cinco antigos executantes da Banda Nova da Ribeira Brava habitantes na Serra de Água. Por esse meio, e com repertório cedido ou coligido das filarmónicas regionais, encomendado a compositores regionais ou adquirido por Gomes e Silva, a Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente realizou a sua primeira apresentação pública (que toma como data de fundação) a 21 e 22 de janeiro de 1990, por ocasião da festividade religiosa e Dia do Concelho de São Vicente.
Para a próspera atividade da recém-constituída coletividade musical de São Vicente em muito contribuiu a celebração de um contrato-programa entre a Direção da Casa do Povo e a Câmara Municipal de São Vicente, que garantia a exibição da Banda Filarmónica nos cerca de doze arraiais do concelho. Para o cumprimento das mais frequentes obrigações artísticas da Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente, José Manuel Gomes e Silva socorreu-se do efetivo misto – de executantes de São Vicente e Serra de Água, o que coibiu a prestação dos pontuais serviços artísticos contratados à Banda Recreio Musical da Serra de Água: ainda assim, vários se realizaram, sob a direção de Gomes e Silva, com auxílio de vários executantes de São Vicente, nos poucos fins-de-semana em que a filarmónica daquele Concelho não oferecia o seu contributo artístico em qualquer festividade religiosas no Norte da Ilha. (A falta de tão auspicioso contrato-programa, que teria incentivado a garantia de serviços musicais e consequentes réditos pecuniários, a nomeação de novo diretor artístico ou chefe de divisão e a reunião de um efetivo autónomo, constituído exclusivamente por músicos formados na instituição, terá apressado a extinção da congénere Banda Recreio Musical da Serra de Água).
Num período em que a emigração e o abandono da atividade artística de vários executantes havia reduzido severamente o efetivo da banda filarmónica (que havia contabilizado trinta figuras em 1994), a direção eleita da Casa do Povo de São Vicente, insatisfeita com a contínua requisição dos músicos inscritos na Banda do Concelho para a filarmónica da Serra de Água, forçou Gomes e Silva à escolha de uma das instituições, o que não apenas resultou na sua dispensa, mas na perniciosa demissão de nove músicos. Ainda em 1997, João Maurício Tavares Quintal, professor do Ensino Básico e executante da Banda Recreio Camponês, substituiu Gomes e Silva à direção artística da Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente. Para que pudesse promover a contínua atividade da coletividade musical e, no cumprimento do contrato-programa, a animação das festividades religiosas do centro-norte da Ilha, Quintal recorreu ao convite e contratação de executantes e antigos músicos de filarmónicas de Câmara de Lobos e Funchal – das Banda Recreio Camponês, Banda Municipal de Câmara de Lobos, Banda Distrital do Funchal e Banda Municipal do Funchal: em 2011, contava a filarmónica de São Vicente com dezasseis executantes e dez aprendizes. Pese embora a notável atividade da Banda em cerca de trinta arraiais anuais, Quintal tem procurado promover, muitas vezes sem resultados frutíferos, a inscrição de aprendizes em cooperação com os agrupamentos escolares e a extensão de São Vicente do Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira, Engenheiro Luiz Peter Clode. No âmbito da efeméride do seu vigésimo quinto aniversário, cujas comemorações se iniciaram em janeiro de 2014 com um concerto para os seus associados e demais público, a Banda Filarmónica da Casa do Povo de São Vicente gravou e editou, entre Maio e Agosto de 2015, um CD, com transcrições de música erudita e algum repertório a que nos habituou nas suas apresentações públicas.

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