Historial – Banda Municipal do Funchal

Auxiliados por João Higino Ferraz, Júlio Ferraz e Severiano Alberto Ferraz, e sob a liderança de Manuel de Nóbrega, alguns trabalhadores de profissões mecânicas que procuravam ocupar-se, nos tempos livres, do estudo da música fundaram, a 18 de Fevereiro de 1850, a Filarmónica Artístico Funchalense – a Sociedade dos Artistas Funchalenses, como desde então foi conhecida. Estabelecidos ao Convento de São Francisco, os amadores de música apresentaram-se pela primeira vez, pouco depois, ao contíguo Largo das Cruzes, sob a direcção de Caetano Domingos Drolha – músico militar de Lisboa, que se terá estabelecido no Funchal desde pelo menos finais de 1841, e que poderá muito bem ter sido o “professor de música” encarregado da banda da Sociedade Filarmónica, activa entre 1844 e 1848. Ainda no mesmo ano, os Artistas Funchalenses iniciavam a sua actividade em festividades religiosas, tocando no arraial de Nossa Senhora do Amparo (na Capela, à freguesia de São Martinho). Sob a regência de Drolha, Agostinho Martins (Sénior), Manuel Cabral e Nuno Rodrigues, a agremiação apresentava-se aquando da efeméride do juramento da Carta Constitucional, por ocasião dos aniversários da Família Real e ainda aquando do aniversário da Imperatriz Isabel de Áustria (1860) e continuou a servir, naquela década, nas festas religiosas da cidade, sendo muito estimada pelas comunidades locais. Um folhetinista, no número de 24 de Maio de 1860 de A Voz do Povo, entusiasmava-se pelo sucesso dos seus conterrâneos, comparando-os aos hábeis músicos da banda regimental, uma das várias que se sucediam em destacamentos no Funchal:

Fui Sábado à noite ver,
O fogo de Santa Luzia,
Porque a curiosidade
É o pão que nos cria
E não fui muito infeliz
Lá na minha pescaria.

Depois de ver e rever
O folguedo que lá ia,
Ouvi tocar e pareceu-me
A banda de infantaria;
Deixei o posto e tomei
Outro de mais primazia.

Eram os nossos artistas,
Com glória, bem alto o digo;
Soltavam dos instrumentos
Ao paladar som amigo:
Ora deixemos de asneiras;
Isto agora é cá comigo.

 

Como em 1854, em 1862 chegava ao Funchal, vindo do Continente, um novo regente para a colectividade. Augusto José Miguéis, setubalense, dirigiu os Artistas Funchalenses desde aquele ano até 1887, promovendo o florescimento da colectividade, que se tornava notório para os madeirenses nos seus vários serviços nas festividades religiosas, em comemorações e outros eventos cívicos e, sobretudo, em inúmeros concertos. De facto, em virtude do consecutivo destacamento de unidades militares da metrópole para aquela província, e, sobretudo de alguns batalhões sem qualquer banda regimental, a elite funchalense acolheu com simpatia e ofereceu o seu patronato à sociedade musical dos “artífices funchalenses”, contribuindo mensalmente para que a banda se apresentasse uma vez por mês na Praça da Constituição, para animar o seu convívio nos espaços públicos da cidade. Coordenados pela batuta de Miguéis, os Artistas Funchalenses realizaram concertos na Praça da Constituição, na Praça Académica, na Praça da Rainha, no Monte, e ainda no Passeio do Ribeiro Seco (junto à ponte da Estrada Monumental), procurando oferecer algum entretenimento aos visitantes que procuravam a Ilha pelo seu clima para a cura de enfermidades respiratórias e não podiam deslocar-se ao centro da cidade. De igual modo, a “banda dos artífices” prestou o seu contributo em eventos  beneméritos, apresentando-se em concerto nas festas de caridade em benefício dos pobres e órfãos e em auxílio dos desvalidos do Porto, realizadas em 1862; e nos bazares organizados em favor da Sociedade Recreio Literário dos Artistas Funchalenses, em 1871, e do Asilo de Mendicidade, em 1877. Para além da ocasional comemoração dos aniversários régios, a colectividade tomou parte na recepção a personalidades tais como o Comendador João Frederico de Câmara Leme (1874) e Dr. Manuel de Arriaga (1883, 1885), deputado que representou os interesses do arquipélago da Madeira entre 1882 e 1884. Entretanto, os Artistas continuavam a animar os arraiais da cidade e, seguramente, os de localidades mais distantes: dizem-nos Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Menezes (ou algum dos colaboradores do Elucidário Madeirense) que em finais da década de 1860 – anos antes da fundação de outras filarmónicas em vários concelhos da Madeira –, eram conhecidas, por toda a ilha, a banda do Regimento de Caçadores n.º 12 e a Filarmónica dos Artistas Funchalenses.

            Em 1887, os Artistas Funchalenses confiavam a direcção artística ao notável músico câmara-lobense Anselmo Baptista Freitas Serrão Júnior, que os regeu, pelo menos até 1892. Em 1897, o regente da colectividade era já Manuel do Nascimento Cruz, que ali serviu até cerca de 1902. Naquele período, Anselmo Vieira terá também dirigido a filarmónica. Semana após semana, de inícios de Maio a finais de Outubro, a sociedade musical recreava os paroquianos nas festividades religiosas do Funchal – de Santa Luzia, Penha de França, São Gonçalo, Santo António, São Pedro, São Paulo, São Roque, Monte, Livramento, Alegria, São João Baptista (Pico), Santa Maria Maior, Nazaré, São João da Ribeira, São Martinho, Rosário (Fundoa) ao Bom Sucesso –, e ainda naquelas do Caniço, Estreito de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, Machico, Arco da Calheta e Porto Moniz. Acostumados às deslocações por barco até aos concelhos mais distantes, os executantes da filarmónica funchalense eram ainda contratados, em inícios do século, para animar as viagens de recreio a Porto Santo.

Nos primeiros anos do século, a filarmónica fazia-se acompanhar, para alguns dos seus serviços em festas religiosas, da sua orquestra do coro – que executava, na novena, uma missa cantada a várias vozes, com grande instrumental, conferindo uma especial solenidade à festividade; o grupo – que poderá ter sido constituído anos antes, por Anselmo Serrão, um conceituado regente destes coros, – prosseguiu em actividade desde 1900 até 1916.

Sob a direcção de Serrão e Nascimento Cruz, a colectividade ofereceu a sua cooperação a eventos beneméritos, tais como o benefício dos inundados (1895), o bazar em auxílio da Casa dos Pobres Desamparados (1897) e as quermesses em favor do cofre da Associação de Socorros Mútuos dos Sapateiros Funchalenses (1897) e da Associação Protectora dos Estudantes pobres (1899). Apresentou-se nas festas artísticas do maestro Miguel Martin (1888) e de Georgina Pinto (1895) no Teatro D. Maria Pia (actual Baltazar Dias), onde ainda tocou, antes das récitas, em 1898 e 1902. Entre os vários concertos realizados nas praças, jardins públicos e no teatro do Funchal, sobressaem aqueles realizados aquando da visita dos monarcas D. Carlos I e D. Amélia à Madeira em 1901: coube à Filarmónica dos Artistas Funchalenses a recepção ao soberano na Praça da Constituição, a 22 de Junho; a abertura solene da Exposição, realizada no Campo D. Carlos I, a 24; e uma actuação, na Quinta  da Choupana. Por ocasião do jantar de gala, os efectivos da banda do Regimento de Infantaria n.º 27 e das filarmónicas Artístico Funchalense, Artístico Madeirense e Recreio Artístico Madeirense reuniram-se, perfazendo mais de uma centena de músicos, para um concerto comemorativo. O belíssimo efeito de uma grande banda cativava o interesse da sociedade local: já em 1888, as três filarmónicas haviam-se agrupado após a festa, no arraial de São Roque; em Agosto de 1901, os Artistas Funchalenses e os músicos da banda regimental reuniram-se à Fanfarra Recreio de São Roque, nas festas da paróquia onde aquele grupo musical se havia recentemente constituído; e, em Junho do ano seguinte, a filarmónica e a charanga reuniram-se no arraial de São João Baptista, e uma semana depois, na Praça da Rainha; a prática era corrente, e outras filarmónicas também se agrupavam para animar os paroquianos nos finais de arraiais, especialmente nas festas do Santíssimo Sacramento em Câmara de Lobos, onde se apresentavam, naquela época, bandas de toda a Ilha. 

A direcção artística da filarmónica dos Artistas Funchalenses competia, por aqueles anos, a César Augusto Rodrigues do Nascimento, que a assumiu por cerca de década, até finais de 1913, salvo alguns meses em 1912 e 1913, em que Hermenegildo Lobo Ralho serviu naquela função. Em Janeiro de 1914, Manuel dos Passos Faria era nomeado regente da colectividade, e no ano imediato, Manuel do Nascimento Cruz tornaria a desempenhar aquele cargo. Sucedeu-lhes Manuel Teixeira, que em 1917, e de 1921 a circa 1924 foi maestro da colectividade. De facto, quando em 1917 se contratou Carlos Pinto, que de Lisboa rumou à Madeira, para a direcção artística dos Artistas Funchalenses, Manuel do Nascimento Cruz e Manuel Teixeira terão continuado como contramestres da sociedade musical, e o mesmo sucederia com Manuel Augusto Figueiredo, que, após ter servido como regente da colectividade desde pelo menos 1924, secundaria o chefe de banda militar Gustavo Coelho, contratado pela colectividade em 1925.

Para além dos habituais arraiais, por várias paróquias da Ilha, a banda tomava parte em comemorações várias: às habituais apresentações por ocasião dos aniversários régios sucediam-se, nos primeiros anos da Primeira República, as paradas e concertos integrados nas comemorações cívicas da Implantação da República e da Restauração da Independência; desde o dealbar da segunda década, a colectividade tomou parte nas comemorações pela extinção da epidemia de cólera (1911), nas celebrações do armistício (1918, 1919), no Cortejo do Soldado Desconhecido (1921), nos festejos da chegada dos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, na recepção ao Presidente da República, Dr. António de Almeida (1922), e nas Celebrações do Quinto Centenário da Descoberta da Madeira (1922). Honrando o espírito associativo regional, os Artistas Funchalenses continuavam a oferecer o seu contributo nos aniversários de várias sociedades industriais, culturais e desportivas – recreando os associados do Club Sports Madeira (1911), do Grupo de Instrução Funchalense (1916), da Sociedade dos 29 (1917), do Grupo Artístico Recreativo Operário (1924) e do Grémio Musical do Alto (1924) – e associavam-se consecutivamente a várias iniciativas beneméritas, participando em bandos precatórios, promovidos pela Academia Funchalense e em quermesses, em benefício da Associação dos Carpinteiros e Artes Correlativas (1903); da Associação de Socorros Mútuos do Sexo Feminino do Funchal (1903, 1909); do Ateneu Comercial e Dispensário D. Manuel II (1910); das famílias das vítimas de Naulila (Angola) (1915); da Cruzada das Mulheres Portugueses (1917); das casas de caridade, realizada por sargentos da guarnição da Madeira (1920) e da Cruz Vermelha, organizada pelo seu pessoal para angariação dos montantes necessários à construção de um hospital cirúrgico (1924). Os Artistas Funchalenses apresentavam-se ainda no Teatro D. Maria Pia [Dr. Manuel de Arriaga / Baltazar Dias], Teatro Circo, Pavilhão Paris e Casino Pavão, oferecendo o seu préstimo nas festas artísticas do actor-imitador Toreski (1904), das irmãs cançonetistas Vidigais (1911), da bailarina La Bony (1915), da actriz Rosa Fernandes (1918), do maestro Rui Borges (1920), e das companhias de Luz Veloso (1920) e José Clímaco (1924); em benefícios do pessoal dos teatros (1918); em récitas organizados por amadores, como aquela em favor do Semanário Operário (1920); e em outros espectáculos (1914, 1916). A filarmónica prosseguia os seus habituais concertos, nas praças da Constituição e da Rainha [Marquês de Pombal], no Jardim Municipal, na Quinta Pavão, no Monte e no Terreiro da Luta, destacando-se, naquele período, as digressões artísticas, a Porto Santo, em 1904, e a Tenerife, em 1913.

A 8 de Abril de 1925, em reconhecimento dos serviços prestados, a Câmara Municipal consignou à filarmónica dos Artistas Funchalenses o título de Banda Municipal do Funchal. No ano em que celebrava o septagésimo-quinto aniversário, a colectividade transferiu-se da Rua da Cadeia Velha para a Rua de João Tavira, inaugurando um Salão-Teatro, onde ensaiava e actuava o grupo dramático e de variedades da colectividade e onde se ofereciam projecções de cinema. Nas regulares reuniões familiares, em bailes e nas festas carnavalescas realizadas na nova sede, actuavam vários artistas e ensembles da colectividade – entre os quais uma pequena orquestra – dirigidos por Manuel Teixeira ou Manuel Figueiredo. Dois anos volvidos, constituía-se também o Orfeão dos Artistas Funchalenses, cuja actividade se prolongou até aos primeiros anos da década seguinte. Em meados de 1929, a mais antiga agremiação artística mudava-se para novas instalações, ao Largo das Cruzes: por ali existir um parque contíguo onde se poderiam realizar algumas actuações, João Eleutério Antas e Almeida organizou uma pequena fanfarra, a Charanga A.B.C., e em 1931, outro agrupamento congénere, de sócios amadores, foi constituído, com o propósito de oferecer alguns concertos no período de veraneio; naquele parque, a sociedade acolheu, em Janeiro de 1932, um concerto de “filarmónicas de canudo”, em que se apresentaram a Banda Ulissen da Mocidade, Banda Football Club Sport Andorinha de Santo António e a Fanfarra Esperança de São Martinho, incitando a juventude para o estudo da música. Desde pelo menos 1932, a colectividade mantinha uma escola de ensino primário, denominada Escola de Santa Cecília (padroeira dos músicos), que funcionou nas suas sucessivas instalações à Quinta das Cruzes (1929-33), ao Largo da Igrejinha (1933-34) e no antigo edifício da Escola Lancasteriana, à Rua 31 de Janeiro, cedido pela Junta Geral do Distrito. O canto coral também ali se praticou, no Órfeão de Santa Cecília, desde pelo menos 1932 a 1942, e no mesmo estabelecimento se fundou, naquele último ano, a Tuna dos Artistas. Em 1938, alguns executantes da Banda Municipal associaram-se, sob a direcção de Raul Abreu, para abrilhantar as festas recreativas organizadas e acolhidas na sede da colectividade: a Troupe Jazz Artistas Funchalenses, que se constituiu legalmente a 4 de Julho daquele ano, iniciou, com o aval da direcção e a protecção dos associados, a sua actividade pouco depois e em 1943 ainda animava as festas familiares e os saraus dançantes realizados na associação. Por forma a garantir aos seus associados a prática da arte dramática, em 1940, a direcção decidiu ainda anexar à associação o Grupo dramático Freitas Martelo, com a nova denominação Grupo Dramático Artistas Funchalenses, confiando a sua direcção aos associados Manuel Gomes Júnior e Manuel Cândido Garcês.

Naquele quartel, Gustavo Coelho – e os sub-chefes Manuel Figueiredo (1925-26, 1929), Manuel Teixeira (1928), João Antas (1929, 1925) e António Neves de Freitas (1941) – pugnaram pelo progresso artístico da Banda Municipal do Funchal que, naquele período, se apresentava frequentemente no Jardim Municipal (de São Francisco), no Salão-Teatro da filarmónica, no Teatro Dr. Manuel de Arriaga, e no Cine Cruzes. Em Outubro de 1927, sob a direcção artística do experienciado mestre de música militar, a Banda Municipal do Funchal realizou uma digressão à Ilha de São Miguel (Açores), onde exibiu a ouverture solennelle 1812 (A Tomada de Moscovo) de Pyotr Tchaikovski; a “Marcha Húngara” da légende La Damnation de Faust de Hector Berlioz; o poema sinfónico Inferno de Camillo San Fiorenzo; a Rapsódia Portuguesa de Águeda, de Ruy Coelho (irmão do regente); e a abertura de Il Barbiere di Siviglia de Gioachino Rossini, entre várias outras obras, como a marcha “Saudação a São Miguel”, composta por Gustavo Coelho em comemoração da digressão. Em 1933, a Banda Municipal do Funchal concretizava uma nova digressão às Canárias, apresentando-se em concerto, sob a direcção de Gustavo Coelho, nas ilhas de Tenerife e Gran Canaria; acompanhavam a banda mais de duas centenas de pessoas, várias das quais da ilustre elite funchalense. Entretanto, a sociedade artística prosseguia com os seus serviços nos arraiais madeirenses, e participava ainda em vários outras comemorações e eventos beneméritos e espectáculos, tais como as Festas em benefício do Asilo de Caridade, em 1925; a recepção à Divisão Naval Portuguesa, em 1935, e aos Milicianos, em 1942; os festejos do Congresso Eucarístico de Machico, em 1941; e a comemoração do Jubileu de Nossa Senhora de Fátima, em 1942. A filarmónica participou ainda no concerto lírico do barítono Armando Baptista, realizado em 1925, no Teatro Municipal; organizou, em 1934, um concerto em homenagem à artista Dora Vieira, na Praça Marquês de Pombal; e abrilhantou o Festival desportivo, organizado no Campo dos Barreiros em 1943.

            Naquele quartel, a mais antiga filarmónica regional foi agraciada com diversas condecorações: a 11 de Julho de 1927, a Cruz Vermelha conferiu-lhe a medalha de “Louvor Merecido”, em agradecimento à sua benemérita cooperação; em 1931, o Angústias Atlético Clube da Horta (Açores) consignou-lhe o diploma de associada. Finalmente, por ocasião do centenário, o Governo da República, por Decreto de 25 de Janeiro de 1951, conferiu à Banda Municipal do Funchal o Grau de Cavaleiro da Ordem de Instrução Pública, concedendo-lhes as honras e o direito ao uso das insígnias correspondentes.

            No decurso da década de 1940, o Capitão Gustavo Coelho, então reformado, terá abandonado a regência da Banda Municipal do Funchal para dedicar-se a outros projectos: naquele período, integrou a comissão artística da Sociedade de Concertos da Madeira, criada em 1943, o corpo directivo da Grande Orquestra Madeirense, e em 1948, assumiu a direcção do Orfeão da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho constituído pela Delegação Regional com o fim de proporcionar exibições musicais em serões dedicados às classes laboriosas. Não obstante, o vínculo da Banda Municipal do Funchal aos mestres de música destacados para a Banda militar regional e outros músicos do mesmo corpo prosseguiu nos seguintes cinquenta anos.

Dos anos 40 a c. 1954, Ismael Coelho (Sargento Ajudante) assumia a direcção artística; em 1954, o regente era já Firmiliano Martins Cândido (Sargento Ajudante);[1] em 1960-1961, dirigia a colectividade Francisco José Dias (Tenente); de inícios de 1962 a 1963, o maestro da filarmónica era Sílvio Lindo Pleno (Sargento Ajudante); naquele último ano, Cândido Martins (Sargento Ajudante) assumiria a regência da associação; entre 1964 e 1965, o director artístico era Tomás Santos Gonçalves (1º Sargento), entre c. 1965 e 1969, Francisco Ferreira da Silva (Tenente Coronel), em 1971-1972, Fernando Matos Simões (Capitão) e entre 1972 e c. 1974 Armando Matos Ferreira (Capitão).[2] Naquele período, a Banda Municipal do Funchal honrava o pedido feito pela Junta Geral do Distrito aquando da cedência do edifício da Escola Lancasteriana, exibindo-se no Jardim Municipal (então denominado Jardim D. Amélia) em concertos de música erudita e de música ligeira, “própria para arraial”, deleitando as comunidades locais e oferecendo aos festeiros uma ante-estreia do novo repertório para as festividades do Verão. A filarmónica cooperava ainda nas comemorações de outras associações regionais, apresentando-se no cinquentenário da Sociedade Vinte e Dois de São João da Ribeira, em 1957, e na Grande Feira Popular do [C. S.] Marítimo de 1959. Em 1957, a Banda Municipal do Funchal replicava a iniciativa da congénere Banda Distrital do Funchal, organizando bailes carnavalescos e reunia-se àquela colectividade em desfiles na Rua da Carreira. Em finais da década seguinte, os Artistas Funchalenses somavam mais um episódio notável à história da filarmónica: a 29 de Setembro de 1968, a Banda Municipal do Funchal foi a 1ª classificada na eliminatória insular no II Grande Concurso  de Bandas de Músicas Civis, e, na final realizada em Lisboa a 16 de Outubro de 1971, foi a 4ª na classificação geral, a 2ª na sua categoria e a 2ª classificada no desfile geral.

[1] Ao contrário dos seus sucessores, Firmiliano Martins Cândido terá assumido a direcção dos Artistas Funchalenses após o período de chefia da banda da Zona Militar da Madeira. Mas como eles, Cândido foi regente de uma filarmónica local no período de chefia da banda militar – da Banda Distrital do Funchal.

[2] Por serem desconhecidas as patentes dos regentes no período em que tomaram a direcção artística da Banda Municipal do Funchal, é indicada aquela com que se aposentaram.

            No último quartel do século, a direcção artística da Banda Municipal do Funchal esteve confiada a: (Tenente) José Joaquim O. Santos (1975-75), Fernando Lagoa (c. 1975-1976), (Sargento) Leonel Cipriano Vieira (1976-1989), (Sargento) Raul Gomes Serrão (1990-93), (Major) Maurílio Basílio (1994-1996), (Major) José Manuel Lemos Botelho (1997) e José António Nunes de Faria (1998-2008). A par da realização de concertos no Jardim Municipal, das animações em festividades religiosas e da participação em comemorações cívicas, a colectividade realizou duas digressões a Loures, espaçadas por vinte anos: em 25 de Novembro de 1975, a Banda Municipal do Funchal participou no VI Festival de Bandas Amadoras do Concelho de Loures, e, vinte anos depois, no XVII Festival Internacional da Cidade de Loures. Sob a direcção de Maurílio Basílio, a filarmónica editou, em 1997, o seu primeiro registo discográfico, intitulado “Artistas Funchalenses”. Naquele ano, a direcção da Banda Municipal celebrou protocolo com o Governo Regional para o financiamento das obras de reabilitação do imóvel e remodelação das instalações para a prossecução das suas actividades artísticas e formativas. No âmbito do mesmo protocolo, a filarmónica comprometeu-se, para além da amortização dos montantes, à realização de cinco concertos anuais no Auditório do Jardim Municipal, que se iniciaram, sob a regência de José António Nunes de Faria, em 1998. A Banda Municipal do Funchal tomou parte nas celebrações do Dia da Madeira (6 de Setembro) na Expo’98 e naquelas da Expo’2000 em Hanover. Representou ainda a Região no V Festival de Bandas dos Templários (Tomar), realizado entre 13 e 16 de Setembro de 2002. Em 2006, gravou para o registo discográfico “As Melhores Bandas da Região”. Por complicações de saúde, José António Nunes de Faria abandonou temporariamente a regência da Banda Municipal do Funchal no Verão de 2007, confiando-a a Alvarinho Camacho Silva. Em 2008, assumiu a direcção artística da Banda Municipal do Funchal Aquilino Domingo da Silva. Em 2013, a Banda Municipal do Funchal prestou-se a cooperar no CD-ROM da Colecção Madeira Música devotado às Bandas Filarmónicas regionais, editado pela Direcção de Serviços de Educação Artística e Multimédia, em parceria com a Associação de Bandas da Região Autónoma da Madeira. Vários artistas têm cooperado nos regulares concertos realizados pela filarmónica nas praças e jardins do Funchal, e recentemente, em Abril de 2017, a Banda Municipal editou novo registo discográfico, intitulado “Madeira de outros tempos”. A 1 de Novembro de 2020, a Banda Municipal tomou parte na recepção ao Presidente da República, Professor Marcelo de Sousa, em visita a Vila Baleira no âmbito das Comemorações dos 600 anos do Descobrimento da Madeira e Porto Santo.

Pela sua notável actividade artística e formativa, o Governo Regional condecorou a Banda Municipal do Funchal a 6 de Abril de 1995, consagrando-lhe o estatuto de Instituição de Utilidade Pública e, a 27 de Setembro de 2018, consignando-lhe a Medalha de Prata de Mérito Turístico.  

            Oito aprendizes frequentam a Escola de Música da Banda Municipal do Funchal, sob a docência de Leonel Vieira, Teresa Sousa e Joana Fernandes, seguindo os passos dos cinquenta e cinco executantes da colectividade, que contribuem para o florescimento artístico e enobrecimento da mais antiga filarmónica regional.

 

 

Bibliografia

Arquivo da Banda Municipal do Funchal – Artistas Funchalenses, Livro de Actas da Assembleia Geral.

“Notícias Locais. Aniversário”, A Ordem, 07.02.1852.

“Folhetim”, A Voz do Povo, 24.051860.

“Artistas Funchalenses”, Diário de Notícias, 18.02.1914.

“Artistas Funchalenses, o seu 65º aniversário”, Diário de Notícias, 15.02.1915.

“Banda Municipal do Funchal (Artistas)”, Diário de Notícias, 16.05.1935.

“Passa hoje o 104º aniversário da fundação da Banda Municipal do Funchal”, Diário de Notícias, 18.02.1954.

Manuel Pedro Freitas, “Banda Municipal do Funchal. Percurso pelas sedes ao longo de 150 anos”, Jornal da Madeira, 27.12.2000.

Vítor Sardinha & Rui Camacho, “Bandas filarmónicas no coreto do nosso coração. Banda Municipal do Funchal, Artistas Funchalenses”, Xarabanda Revista 12, 1997.

Manuel Pedro Freitas, “Grupos musicais madeirenses entre 1850 e 1974”, in: Manuel Morais (ed.), A Madeira e a Música. Estudos (c. 1508 – c. 1974), Funchal, 2008.

Marco António Ferreira Gonçalves, “As bandas filarmónicas na Madeira, 2ª metade séc. XIX/princípios séc. XX”, in: Xarabanda Revista 17, 2008.

Paulo Esteireiro et al., 50 Histórias de Músicos na Madeira, Funchal: Associação de Amigos do Gabinete Coordenador de Educação Artística, 2008.

João E. D. Franco, Bandas Filarmónicas Portuguesas, Ancorensis, 2011, p. 779.

Manuel Pedro Freitas, “Notas [musicais] soltas”, Revista Girão.

http://www.bandasfilarmonicas.com/cpt_bandas/banda-municipal-do-funchal-6/

https://www.facebook.com/pg/ArtistasFunchalenses

 

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